AS NORMATIVAS EUROPÉIAS E AS OPORTUNIDADES PARA O SETOR SUCRO ENERGÉTICO NO BRASIL
Quando falamos em sustentabilidade, uma das principais questões que nos vêm à mente é a questão da substituição das fontes de energia fóssil por fontes de energia renovável, pois estas, além de poderem se sustentar ou continuarem a existir ao longo do tempo, diferentemente da energia fóssil, também apresentam emissões de GHG (Greenhouse Gases, também conhecidos com gases do efeito estufa) muito menores que o combustível fóssil, o que nos ajuda na corrida contra o tempo que virou o combate à realidade das mudanças climáticas que já afeta a todos.
Atualmente, graças ao desenvolvimento da pesquisa e da tecnologia, contamos com diferentes opções de energia renovável. As principais opções adotadas são a energia eólica, a energia solar, a energia hidráulica e a energia derivada de biomassa. Dentre estas, a energia derivada de biomassa é a energia que vêm sendo utilizada para a substituição do combustível fóssil utilizado em grande parte dos meios de transporte do mundo. Esta energia pode ser obtida através de diferentes espécies de planta agrícolas, como o milho, a soja, a palma e a cana-de-açúcar.
O etanol, biocombustível derivado da cana-de-açúcar, é o biocombustível que apresenta melhor eficiência quanto à sustentabilidade na substituição da gasolina, ou seja, comparando-o a outros biocombustíveis, derivados de outras espécies, o etanol é o biocombustível que apresenta melhor performance quanto à sustentabilidade, especialmente no que se refere à emissões de GHG.
Por este motivo o Brasil, como grande e experiente produtor de etanol, já se encontra em posição favorável no que diz respeito a suprir a demanda mundial crescente por biocombustíveis para a substituição dos combustíveis fosseis. É importante destacar que esta demanda, não é uma demanda espontânea, mas sim uma demanda vinculada a obrigações legais derivadas dos compromissos assumidos pelos países na redução de suas emissões de GHG.
Todavia a demanda, não é simplesmente pelo produto que tenha as menores emissões de GHG e seja produzido em larga escala, como é o etanol, mas a demanda crescente, especialmente no mercado europeu, é que este produto tenha um desempenho sustentável em todo o seu processo de produção e escoamento, ou seja, do plantio da espécie utilizada até a “bomba que abastece os carros europeus”.
E neste caso o que seria a “sustentabilidade em todo seu processo de produção e escoamento”? Bom, esta sustentabilidade inclui o balanço das emissões de GHG em todo o processo, mas vai além. Para atestar a esta sustentabilidade são avaliados aspectos sociais e ambientais nas unidades produtivas de matéria prima, como: o atendimento a legislação (trabalhista, saúde e segurança, código florestal, etc), o não desmatamento e recomposição de áreas de conservação, a utilização de boas práticas agrícolas e o bom relacionamento com as partes interessadas.
Na prática, sabemos que cumprir com 100% de tudo isso, especialmente no Brasil, não é tarefa fácil, mas é possível e a realidade demonstra que já existem empresas “em dia” com estas questões.
De toda forma, a pergunta que sempre se segue a esta breve apresentação do tema é:
- E quanto o mercado europeu esta disposto a pagar a mais por este etanol sustentável?
A resposta ainda está coberta por uma nuvem, mas uma coisa é certa, uma vez que a exigência por comprovação de sustentabilidade virou lei na comunidade européia (Renewable Energy Directive) é apenas uma questão de tempo para que o biocombustível sustentável demandado seja valorizado.
E ainda que as exigências possam ser vistas como barreiras não tarifárias para o etanol brasileiro, podemos ter certeza que a comprovação da origem sustentável é uma tendência do mercado e algo com que não podemos voltar atrás.
Assim as empresas que apresentarem desempenho socioambiental superior já podem enxergar estas normativas como oportunidades de diferenciação e vantagem de mercado.
Uma vez que a própria indústria sucroalcooleira no mundo todo está apoiando a normatização de boas práticas através da norma BSI – Better Sugarcane Initiative, fica claro que num futuro bem próximo não haverá espaço para empresas que queiram manter suas velhas práticas de gestão , planejamento e produção indiferentes às exigências ambientais e sociais.
Na prática, sabemos que cumprir com 100% de tudo isso, especialmente no Brasil, não é tarefa fácil, mas é possível e a realidade demonstra que já existem empresas “em dia” com estas questões.