Demonstra uma forma de valoração ambiental que entende o meio ambiente como um bem público e que os efeitos negativos gerados pelo funcionamento da economia devem ser compensados à sociedade. A Austrália colocou um valor econômico para as emissões, um “preço para a poluição”.
Como seria se este imposto fosse adotado aqui no Brasil? Como este novo custo seria encarado e absorvido pelas empresas? O que poderia ser feito com o dinheiro arrecadado com esse novo tributo?
Se considerarmos como exemplo apenas aquelas empresas que adotam práticas transparentes com relação a suas emissões de gases efeito estufa e estão listadas no Índice Carbono Eficiente (ICO2) da Bovespa, o governo brasileiro poderia embolsar cerca de R$ 1,8 bilhão - a empresa que está no ICO2 e possui o maior índice de emissão desembolsaria mais de R$ 500 milhões.
A destinação do dinheiro arrecadado com este imposto deveria ser muito bem pensada de forma que a sociedade se sentisse de alguma forma recompensada por todos os danos causados pela alta emissão de gases de efeito estufa.
Investimentos em programas que contribuam para a diminuição das mudanças climáticas, desenvolvimento de tecnologias em energias limpas e para o tratamento das doenças causadas pela exposição ao monóxido de carbono são alguns exemplos de ações que poderiam receber estes recursos e beneficiar a sociedade.
Porém, a grande questão é o quanto este novo custo ambiental será realmente um incentivador para que as empresas repensem as suas atividades e promovam mudanças em suas operações de forma a buscar soluções que tornem mais limpa e eficiente toda sua cadeia de produção.
Desestabilizar o prato financeiro da balança da sustentabilidade pode ajudar a equilibrar os pratos sociais e ambientais.
Juliana Müller Bastos
