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Sex, 16 de Setembro de 2011 18:32

A onda verde das embalagens

Escrito por  Juliana Muller
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De acordo com a legislação brasileira, o rótulo dos alimentos deve conter uma série de informações obrigatórias: ingredientes, data de validade, peso/conteúdo líquido e informações nutricionais como calorias, gorduras, colesterol, sódio, carboidratos, etc.

No momento da compra, algumas destas informações já são comumente analisadas pelos consumidores, principalmente aquelas relacionadas às dietas restritivas, com redução de consumo de calorias, açúcares, sódio e gorduras.

Outras informações se tornaram tão importantes para os fabricantes que até viraram o marketing do produto e ganharam posição de destaque nas embalagens estampando grande parte dos produtos que consumimos em nosso dia a dia.

 

A primeira grande onda foi a utilização de termos como “zero calorias”, “diet” ou “light”, chamando a atenção dos consumidores para a compra de produtos com menor ingestão de açúcares, sódio ou gorduras.

A onda mais recente tem alertado os consumidores para os riscos do colesterol ruim e de problemas cardíacos e assim houve um “boom” na quantidade de produtos que encontramos nas gôndolas dos supermercados com os termos “livre de gorduras trans” ou “zero gorduras trans” (Fiquem atentos! Normalmente o “zero” – que na verdade é 0,2g - refere-se à quantidade de gordura por porção e não ao pacote inteiro de biscoito, por exemplo).

Mas será que os consumidores estão mesmo ligados no que estes termos significam? Conseguem entender as diferenças entre cada produto e escolher aquele menos prejudicial à saúde? Ou estão simplesmente surfando as ondas e sendo fisgados pelos fabricantes?

A minha esperança é que estas duas primeiras ondas possam ajudar a educar os consumidores a analisarem as embalagens e a buscarem mais informações destes fabricantes, para que tenham mais controle daquilo que estão consumindo e também para que estejam prontos para a próxima onda que deve pintar por aqui: o índice de emissão de gases de efeito estufa dos produtos.

Devidamente educados, os consumidores poderão escolher seus produtos, considerando informações sobre quais são aqueles que trazem benefícios à saúde da família e à saúde do planeta (que volta a trazer benefícios à saúde da família).

Alguns países já estão testando essa novidade, entre eles a França. O índice de emissão dos produtos franceses incluirá a quantidade de CO2 emitida desde a concepção, passando pela extração da matéria prima, transporte, produção, embalagem, estocagem, distribuição, até a reciclagem ou descarte dos resíduos, utilizando a metodologia de Análise de Ciclo de Vida do Produto.

A medida adotada por estes países visa incentivar as empresas e seus fornecedores a melhorarem continuamente os seus processos de forma a tornar mais limpa toda sua cadeia produtiva.

Outro foco da medida é promover a conscientização dos consumidores sobre a pegada de carbono de cada produto e inspirar uma mudança no comportamento da população. Ou seja, sabendo a quantidade de CO2 emitida, o consumidor pode optar por um produto de um fabricante menos poluente ou pode cobrar do fabricante uma postura mais sustentável no desenvolvimento de seus produtos.

De acordo com a última pesquisa O Consumidor Brasileiro e a Sustentabilidade do Instituto Akatu, o número de consumidores engajados e conscientes de suas escolhas de consumo em 2010 era de quase 30% da população. Estes 30% da população podem promover mudanças significativas no modo como as empresas se relacionam com sua forma de conceber, produzir e promover o descarte adequando de seus produtos.

Vale a pena conhecer a iniciativa do GoodGuide, um site, onde se pode pesquisar produtos de empresas americanas sob a perspectiva “saudável, ambientalmente correta e socialmente responsável”. A metodologia utilizada por eles analisa o risco que o produto traz para a saúde e ao meio ambiente, analisa todo o ciclo de vida e seus impactos sociais. O resultado é uma nota de 0 a 10 para cada produto e o apontamento quais são os pontos críticos do processo de produção. 

Baixando o aplicativo GoodGuide para o iPhone ou Android o consumidor pode escanear o código de barras de um produto enquanto empurra o carrinho do supermercado e obtém na hora informações da conduta industrial, ambiental e de saúde, como, por exemplo, se a empresa utiliza ingredientes cancerígenos na composição do produto.

O que dizem nossos clientes:

“Como parte de seu Plano de Enfrentamento das Mudanças Climáticas, a PepsiCo Alimentos América do Sul deu início ao inventário de emissões de sua cadeia de produtores agrícolas. Na Argentina, 1.668 hectares de terras já foram inventariados, na produção de uma safra de 65.115 toneladas de batatas, o principal ingrediente da divisão de snacks. Esta iniciativa tem a missão de ajudar a PepsiCo a entender quais são as emissões associadas aos seus insumos, facilitando um benchmarking de eficiência em carbono entre os seus fornecedores agrícolas, cujo alinhamento de valores com a companhia garante a continuidade da parceria e o crescimento dos negócios. No futuro, informações como esta ajudarão o consumidor na decisão de compra, a partir de sua preocupação com a sustentabilidade do planeta”. Andreza Araujo, gerente de sustentabilidade da PepsiCo South America Foods

 

 

Juliana Müller Bastos
ecosSISTEMAS
Inteligência para Sustentabilidade
Última modificação em Sex, 16 de Setembro de 2011 18:54
Juliana Muller

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