Há ainda outras classificações, como os Agroecossistemas, caracterizados como uma unidade de atividade agrícola espacial e funcionalmente coerente, incluindo também elementos vivos e elementos não-vivos e todas as suas interações. Canaviais, cafezais, laranjais, hortas, sistemas agrossilvopastoris e agroflorestas são alguns dos exemplos de Agroecossistemas.
A soma de todos os ecossistemas (incluindo os agroecossitemas) da Terra é o que conhecemos como Biosfera.
Os ecossistemas exercem funções importantíssimas dentro da biosfera, como o provisionamento de elementos essenciais à vida (água, oxigênio, fertilidade dos solos), provisionamento de matérias primas (fibras, madeira, combustíveis, alimento), regulação climática através do sequestro de carbono pelas plantas, algas e diversos organismos unicelulares presentes nos oceanos; e armazenamento de carbono; através do húmus, e de enormes colchões de carbonato de cálcio nos leitos oceânicos.
Portanto, Ecossistemas saudáveis são a base para a existência de recursos hídricos suficientes para suprir as necessidades da sociedade, para regular o clima, assim como para o fornecimento seguro de alimentos para a população atual e futura, como aponta o relatório "An Ecosystem Service Approach to Water and Food Security", lançado recentemente pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, International Water Management Institute e outras 19 organizações, durante a Semana Mundial da Água em Estocolmo, Suécia (este relatório é uma contribuição para o TEEB – The Economics of Ecosystems and Biodiversity).
O relatório demonstra a importância de que as políticas públicas considerem as fazendas, sítios, áreas pesqueiras e outras áreas agrícolas como Agroecossistemas, pois estas produzem alimentos, assim como uma série de outros serviços como a regulação de enchentes e purificação da água.
Muitas estratégias de gerenciamento e manejo dos Agroecossistemas são citadas no relatório, como a criação de corredores biológicos, criação de zonas de amortização entre a terra e a água, integração de cultivos com árvores, animais, e outros. Estas boas práticas agrícolas, não só geram Agroecossistemas mais saudáveis, como contribuem para a saúde da biosfera como um todo; uma vez que os produtos (alimento) e serviços (qualidade e quantidade de água, regulação climática, proteção do solo, etc.) são desfrutados em toda a biosfera e não apenas no local onde o agroecossistema se estabelece. A conscientização de políticos e a formação de políticas públicas adequadas para que estas boas práticas sejam implementadas e valorizadas de forma adequada se torna cada dia mais urgente, pois se os Agroecossistemas têm o poder de gerar serviços ambientais, têm também o poder de comprometê-los irreversivelmente quando manejados com práticas agrícolas degradantes.
Um exemplo é o uso da água: os agroecossistemas são responsáveis pelo uso de 70% de toda a água utilizada pelos seres humanos. A redução deste percentual, através de boas práticas (irrigação localizada, diversificação da produção, cobertura do solo em tempo integral, entre outras) representaria um enorme ganho na geração do serviço ambiental "aumento da disponibilidade de água", enquanto que o aumento deste percentual (ou mesmo sua manutenção em 70%), por outro lado, representaria o comprometimento da "disponibilidade de água" para outras atividades e mesmo para o consumo humano.
Os mapas do texto (provenientes do site do Millenium Ecosystem Assessment) ilustram a distribuição das áreas urbanas, desérticas, polares, florestais e cultivadas com agroecossistemas na biosfera. Através delas, fica clara a dimensão dos agroecossistemas na ocupação do planeta e, conseqüentemente, a importância destes na geração de serviços ambientais.
Todavia, ainda existentem alguns desafios para que os serviços ambientais gerados pelos agroecossistemas recebam a atenção merecida. Um dos grandes desafios no momento, amplamente discutido, é a criação de parâmetros para a valoração econômica das boas práticas agrícolas que geram serviços ambientais, e a utilização deste valor nas esferas econômicas das relações; seja no acesso a crédito, isenção de impostos, pagamento pelos serviços ambientais gerados com crédito proveniente da cobrança pelo uso dos serviços (como o exemplo do pagamento dos serviços ambientais, do Programa Produtor de Água, que conta com o recurso pela cobrança do uso da água) ou outros tipos de relações econômicas que possam dar suporte a valoração dos serviços ambientais.
Valorar os serviços ambientais gerados pelos agroecossistemas é importante para que os produtores sejam justamente pagos pelos esforços no fazer correto, utilizando boas práticas agrícolas, gerando benefícios para a sociedade.
Contudo, mais do que valorar os serviços ambientais, é crucial valorizá-los; é fundamental que a sociedade tenha a plena consciência da total dependência que nós (não só seres humanos, mas seres vivos) temos destes serviços.
Alexander Van Parys Piergili
Marina Souza Dias Guyot
