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Sex, 28 de Outubro de 2011 20:31

O desafio dos 7 bilhões Destaque

Escrito por  Juliana Muller
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De acordo com as projeções da ONU, nesta segunda-feira, 31 de outubro, alcançamos uma marca histórica:

Somos 7 bilhões de pessoas!

Temos ouvido muito sobre este número nos últimos meses. A UNFPA, organismo da ONU responsável por questões populacionais, criou até um movimento para discutir e compartilhar histórias sobre os desafios e oportunidades que este marco populacional traz para a humanidade http://7billionactions.org/

É necessário discutir o motivo deste número ser tão incrível, com direito até a contagem regressiva em diversos sites e diversas matérias falando sobre esse assunto. Este marco deve ser comemorado ou um motivo de preocupação?

countdown 7 bilhoes

Countdown do site http://www.worldometers.info/ no dia 28/10/2011

O número impressiona quando analisamos como se deu essa taxa de crescimento. Em 1804, a população mundial chegava a 1 bilhão. Pouco mais de um século depois, veio a marca de 2 bilhões de pessoas. Em 1960 éramos 3,5 bilhões e dobramos esse número nos últimos 50 anos!

Esse número também nos deixa impressionados quando avaliamos como as desigualdades sociais cresceram durante esses anos. De acordo com essa divertida apresentação do TED@Cannes feita por Hans Rosling, o fundador do Gapminder, a fatia da população que mais cresceu nesses últimos 50 anos foi a da população mais pobre, que não tem acesso a informação e aos bens mais básicos como água, alimento e energia.

 

As desigualdades são imensas e os desafios também. Hoje cerca de 1,5 bilhão de pessoas não tem acesso a energia elétrica, quase 1 bilhão passam fome diariamente, 700 milhões sofrem com a escassez de água e bilhões estão lutando para sair da miséria. Se estas pessoas que estão saindo da miséria optarem trilhar o caminho anteriormente percorrido pela população já desenvolvida - desmatando florestas, queimando carvão e petróleo, usando fertilizantes e pesticidas em abundância – vão gerar um enorme impacto sobre os recursos naturais que ainda restam em nosso planeta.

E esses impactos logo começarão a prejudicar a produção de alimentos. Este talvez seja o grande desafio das próximas décadas: diminuir o desperdício dos alimentos produzidos e alimentar (com qualidade) esta população que deve chegar a 10 bilhões de pessoas em 2050. Desafio imenso considerando que as áreas de solo fértil e os estoques de água doce e limpa estão diminuindo a uma taxa alarmante.

Para Lester Brown, fundador do Instituto Worldwatch, a escassez de alimentos poderá provocar um colapso da civilização. Para Brown, se a população mundial não se estabilizar em 8 bilhões por meio da redução da fecundidade, poderá se estabilizar neste número por meio do aumento da taxa de mortalidade.

Oito bilhões de pessoas. Será esse o número de habitantes que o planeta é capaz de sustentar? Talvez seja esse o número caso não haja uma mudança drástica na forma que consumimos os recursos naturais que ainda restam. Mas o certo é que querendo ou não, essa mudança irá acontecer.

Você e eu, provavelmente, acompanharemos a extração do último barril de petróleo – previsto para daqui a pouco mais de 42 anos de acordo com a contagem regressiva do site http://www.worldometers.info/. Considerando que hoje mais de 80% da energia consumida pela população mundia vem de energias não renováveis, é fato que mais do que controlar a taxa de natalidade da população, o mundo precisará se adaptar a estas novas configurações. 

 

 

Juliana Müller Bastos
ecosSISTEMAS
Inteligência para Sustentabilidade
www.ecossistemas.net
+55(12) 9764-2718
Skype: julimuller

 

Última modificação em Dom, 30 de Outubro de 2011 09:33
Juliana Muller

Juliana Muller

Juliana Müller Bastos
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