Por que calcular a Pegada Ecológica de Cidades?
A "Pegada Ecológica", da forma como é preconizada pela Global Footprint Network e pela ecosSISTEMAS, parceira brasileira desta rede no Brasil, responde a uma pergunta científica precisa: Quanto, da capacidade de regeneração da biosfera, é direta e indiretamente utilizado pelos seres humanos, em comparação com a quantidade de recursos disponíveis (Biocapacidade) em escala local e global?
Traduzindo para nossas finanças domésticas, seria o mesmo que perguntar: De minha renda anual; quanto eu gasto com alimentação, moradia, transporte, vestimentas e lazer? Qual é o saldo final de minha conta?
Precisamos mesmo expandir a área agrícola para produzir alimentos no Brasil?
A era da informação é fantástica. Na velocidade de um “click” e no leve movimentar de um dedo, podemos acessar Zetabytes de informação: no ano de 2011, a humanidade produziu 1,9 Zetabytes. Traduzindo isso para uma unidade mais acessível; 1,9 Zetabytes equivalem a 57.5 bilhões de ipads (cada unidade com um HD de 32 Gigabytes). Com essa quantidade de “ipads” podemos construir uma montanha 238 vezes maior do que o Pão de Açúcar, no Rio de Janeiro.
Ainda assim, as respostas à pergunta que inicia esse texto não são claras.
Plano B - Mobilização para salvar a civilização
O título deste post é também título de um livro de Lester Brown que considero leitura obrigatória, e de um documentário especial realizado pela rede de TV americana PBS, na série "Journey to Planet Earth". No documentário, Lester Brown fala sobre as conexões entre as mudanças climáticas e a produção de alimentos, alertando sobre os perigos eminentes da escassez de alimentos por consequência das mudanças climáticas. A crise nos preços de alimentos em 2007 é um claro exemplo. Lester também introduz o conceito de "Estados falidos", como o Haiti, Afeganistão e diversos outros (a lista aumenta anualmente) e lança a pergunta: " Quantos estados falidos precisamos ter para ter uma civilização falida?" Ninguém sabe a resposta.
O que eu faço com essa sacola?
Ontem estava em nosso escritório em São Paulo (The Hub), em reunião com a equipe, discutindo fervorosamente sobre a sustentabilidade dos biocombustíveis, padrões internacionais, emissões de GEE (Gases Causadores de Efeito Estufa) na produção de etanol. Em um momento de pausa, o pessoal da equipe se levantou para esticar as pernas, e eu continuei absorto em minha caixa de e-mails, quando fui timidamente abordado:
- Você trabalha com sustentabilidade?
- Trabalho sim!
-Então me diga uma coisa: O que eu faço com essa sacola?
Enquanto perguntava, a simpática moça levantava com as mãos, à altura dos olhos, uma sacola plástica de cerca de 40 litros, daquelas típicas de lojas de departamentos. Fui pego de surpresa com a pergunta. A princípio, a primeira resposta que me veio à mente, foi reciclagem. Depois fiquei olhando para a moça, com a sacola em mãos e um olhar ansioso por uma resposta que a deixasse tranquila com relação à responsabilidade de suas atitudes. Foi quando tive o momento de epifania, e respondí:

- Use como uma sacola!
A moça, surpresa com a criatividade da resposta, me olhou com uma expressão que eu interpretei como " minha intenção era me livrar dela, e ao mesmo tempo ficar tranquila com relação à minha responsabilidade ambiental".
Essa pequena estória real, que acontece todo o tempo todos os dias em nossa vida, é apenas um lembrete de que as atitudes sustentáveis geralmente são as mais simples. Uma sacola utilizada como sacola. Uma garrafa utilizada como garrafa.
Sustentabilidade de produtos: o exemplo das fraldas.
Fraldas são trajes absorventes vestidos por indivíduos que não tem capacidade de controlar os movimentos de suas bexigas e de seus intestinos. Há muito tempo a humanidade utiliza fraldas, que podem ser fabricadas com algodão, fibras naturais, ou materiais sintéticos descartáveis. Enquanto fraldas feitas com várias camadas de fibras naturais como algodão podem ser lavadas e reutilizadas, as fraldas elaboradas com materiais sintéticos são utilizadas apenas uma vez e em seguida descartadas. A escolha por um tipo ou outro de fralda fica por conta dos pais de bebês ou usuários adultos, e pode passar por uma série de critérios como conveniência, saúde, custo e impactos ambientais.
Nem sempre houve essa possibilidade de escolha. Que o diga a Sra. Marion Donovan, norte americana nascida no estado de Indiana em 1917 que, cansada da tarefa ingrata e repetitiva de trocar as fraldas de algodão, lençois e roupas de seu filho pequeno, sentou-se à máquina de costura com um pedaço de cortina de chuveiro e criou a primeira capa plástica para as fraldas de pano da época. A capa plástica de Marion revolucionou o mercado desse tipo de produto, que contava apenas com um tipo de cobertura de borracha que causava irritações e assaduras na pele dos bebês.
